quinta-feira, 28 de julho de 2011

PASSAR A VIDA A LIMPO!!!

Não existe um único recuperando de A.A ou dependente químico, que não tenha dado esse primeiro passo; “ O primeiro Passo do A.A para a recuperação” é simplesmente impossível fazer uma caminhada em direção à sobriedade que é nossa admissão da impotência frente nosso objeto de obsessão. É o reconhecimento dessa impotência perante, seja lá que “droga” que denúncia nossa “fraqueza” ou “falta de controle”, seja pelo álcool, maconha, cocaína, jogo, comida, sexo, mentir, manipular... Não importa o objeto pelo qual se é compulsivo; o que eu quero frisar é esta falta de controle, esta “fraqueza” isso significa que, uma vez começado o ato, não se consegue parar.

Existem pessoas que ficam muito incomodadas quando, eu nos coloco no grupo de dependentes químicos. Que eu nos trato como iguais. Assim como entre nós obesos, existem pessoas boas e más. Não é o tamanho do corpo que irá definir quem somos. Com o dependente químico é a mesma coisa, existem pessoas ótimas que se perdem nas drogas, assim como nos perdemos na comida.

As doenças compulsivas deformam o nosso caráter resultado dos mecanismos de defesa utilizado por nós; como um meio de nos adaptarmos a esse desconhecido universo. Como não sabemos o que fazer com essa dificuldade, vamos adaptando a ela de forma doentia.

Quem negaria comida para um obeso? Por isso ele não precisa roubar para obter a sua “droga” e se o faz, não usa de violência inclusive por sua condição física, é mais fácil fazer cara de bonzinho, fazer-se de vitima para conseguir o que deseja, ele tem de certa forma o apoio das pessoas, afinal de contas negar comida é “pecado”.

Já os dependentes de químico, na fissura ele perde toda a noção de certo ou errado, existem muitas pessoas boas nesse universo maldito, que se tornaram marginais, marginais circunstanciais. Eles são vitimas do mesmo distúrbio, que eu sou vítima, Transtorno Obsessivo Compulsivo.

Criar pendenga (pendenga s. f. [Brasil] Pendência; briga; discussão; bate-boca). Se somos ou não do mesmo grupo de usuários de drogas apenas confirma a nossa arrogância, preconceito e falta de informação adequada.

Para se recuperar de forma saudável e definitiva, o tratamento começa exatamente com a aceitação do nosso distúrbio seja lá o que for, é o tratamento da humildade, teremos de repensar valores, atitudes hábitos, comportamentos, enfim PASSAR A VIDA A LIMPO.


Os adictos são pessoas que têm uma predisposição de reagir aos efeitos das drogas de maneira específica, isto é, de maneira tal, que tratam de usar seus efeitos para satisfazer um desejo oral arcaico, que é, ao mesmo tempo, um desejo sexual, uma necessidade de segurança básica, e de conservar a auto-estima” (FENICHEL, OTTO. Teoria psicanalítica de lãs neuroses). 

A privação do prazer, a falta de segurança básica e a perda da auto-estima são vividas pelo dependente como um desmoronamento, aniquilação, ameaça iminente de morte psicológica. A urgência de alívio dessa ameaça leva o adicto a estabelecer um vínculo de vida ou morte com a droga. As primeiras experiências com as drogas trazem alívio para essa ansiedade, gerada pelo caos que está sendo vivido como aniquilamento do ego. Ao passar o efeito das drogas e na volta à consciência da realidade, o adicto, frente a essa ameaça, mais sensível e mais fragilizado, volta ao uso das drogas que vai se tornando vital para ele. Progressivamente, e no desenvolvimento e avanço da doença, estabelece-se assim, a dependência, cada vez mais solidificada pela síndrome de abstinência. O adicto não acredita mais ser possível viver sem a droga. A grande dificuldade do processo de recuperação é que além de ter que superar a dependência, ele terá também de confrontar todos os seus fantasmas, deixados ou criados pelo passado de ativa....


aniquilar - Conjugar 
v. tr.
1. Reduzir a nada, destruir inteiramente.
2. [Figurado]  Abater, humilhar.
v. pron.
3. Abater-se; rebaixar-se.


ElizabethChimicati

segunda-feira, 18 de julho de 2011

O IMPÉRIO DA IGNORÂNCIA!!!

Muito cuidado com o que você assiste na televisão, eu fico simplesmente, revoltada, injuriada, desesperada com tanta babaquice que eu assisto na televisão, sobre obesos e obesidade. Uma coisa comum de escutar, repetidas vezes é o jargão de maior ignorância possível, Para emagrecer é só fechar a boca: de onde será que vem uma informação tão imbecil. Que arrogância, prepotência é esta que todos os apresentadores de televisão, formadores de opiniões, lançam aos quatro cantos sem nenhuma avaliação das conseqüências do que falam?

 Garotada, obesidade é assunto de gente grande, continuem falando de vestidinhos, sainhas, batonzinhos, cabelinhos, sapatinhos, é muito simpático eu adoro. E de comidinhas também, mas pelo AMOR DE DEUS, se vocês querem falar sobre obesidade estudem, e garanto que será muito difícil, a bibliografia que eu já estudei já descartei.
          Alguém em sã consciência pode mesmo acreditar que se fosse tão simples assim, existiriam gordos no mundo? – Ninguém é gordo porque quer, porque acha confortável, bonito.

OBESIDADE É O SINTOMA DE UMA DOENÇA CHAMADA: TRANSTORNO OBSESSIVO COMPULSIVO.

Em boca calada não entra mosquito e nem sai “M”.

Domingo, para variar, em um programa muito badalado, o apresentador é um encanto, a responsabilidade não é apenas dele. Apresentaram um quadro, de uma propaganda de algum SPA. Quando não, mais que de repente, a maldita frase que o moço aprendeu no SPA. Agora “É só ter força de vontade, para manter o peso” isso é uma desgraça, pois em alguns meses ele terá recuperado seu peso e se usou anfetamina vais ganhar uns extras. E ainda vai ficar com culpa e sentimento de fracasso, percebem a armadilha de tratamentos ineficazes? “Você que não teve força de vontade”.... Isso é balera não serve para nada. POR QUÊ??? Força cansa e vontade acaba. Você precisa meu amigo, é de conhecimento, sobre sua condição de comedor compulsivo e de meios que o ajude a mobilizar em você uma coisinha chamada DETERMINAÇÃO, é a única possibilidade, jogue fora a força de vontade, ela não serve para nada, não vai ajudá-lo definitivamente. isso é discurso do desconhecimento do que seja o Transtorno Compulsão Alimentar.
 deve ter sido esses pensamentos imbecis os inspiradores da cirurgia bariátrica.
Mais uma vez eu insisto em repetir a definição de compulsão, assim pelo menos meus leitores ficaram protegidos de tanta ignorância e facilita a compreensão do porque a famigerada "Força de vontade" e "É só fechar a boca" não vai ajudá-lo.

COMPULSÃO _ Ato ou impulso coercivo para agir de certas maneiras especificas. Os atos compulsivos são automatismos sobre os quais o indivíduo exerce escasso controle. A pessoa está cônscia do que faz ou do que está compelida a fazer. Reconhece ser um ato irracional, absurdo ou mesmo perigoso, mas é incapaz de parar ou de livrar-se do impulso para executá-lo. O desempenho do ato permite ao indivíduo um certo alívio para a sua ansiedade neurótica. As compulsões, também denominadas “reações compulsivas” ou “compulsão de repetição”, variam em número e gravidade desde contar os passos e as fendas do passeio até atos criminais como a cleptomania (roubo compulsivo) e a piromania (incendiarismo compulsivo). Todas as manias são tecnicamente compulsões, sendo mais comuns em combinação com reações fóbica e obsessivo-compulsivas do que em formas puras. Dicionário técnico de psicologia _
                                           Álvaro Cabral e Eva Nick _ Ed: Cultrix



Tente estudar esta definição, até entendê-la muito bem, não é fácil nem simples entender tudo isso, mas com um pouco de dedicação você irá entende-la.

adicto
(latim addictus, -a, -um, particípio passado de addico, -ere, aprovar, dar assentimento a, ser favorável, adjudicar, vender, consagrar, dedicar) 
adj.
1. Que está com outro ou se lhe junta por afeição. = afeiçoado, dedicado
2. Que depende de ou se submete a. = dependente, submisso
adj. s. m.
3. Que ou quem é dependente de algo, geralmente de alguma substância. = dependente

dependente
(latim dependens, -entis, particípio presente de dependeo, -ere, depender) 
adj. 2 g.
1. Que depende.
2. Que sofre dependência.
3. Anexo; sujeito.
4. Que só se há-de! realizar dadas determinadas circunstâncias.


sujeito 
adj.
1. Dependente.
2. Subjugado.
3. Submetido.
4. Obediente; dócil, cativo.
5. Domado.
6. Exposto, susceptível!.
s. m.
7. Indivíduo de quem se omite o nome.
8. Homem.
9. Gram. Lóg. Pessoa ou coisa de que o verbo afirma ou nega alguma propriedade ou atributo.

sujeitar - Conjugar 
v. tr.
1. Reduzir à sujeição ou obediência; subjugar; ter sujeito; prender, segurar.
2. Submeter para sofrer alterações ou modificações.
v. pron.
3. Submeter-se; dobrar a cerviz, render-se; limitar-se; adstringir-se.

sujeição 
s. f.
1. Acto! ou efeito de sujeitar.
2. Dependência; submissão; acatamento.

ElizabethChimicati

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Alienação é PRIVILÉGIO de quem estudou também. O broplema não é o Brasil... São seus governantes!!!

Bobagem?
Osmar Terra
Hoje, já morrem mais vítimas da epidemia do crack do que de todas as demais epidemias virais somadas, o que mostra que ela não é uma bobagem
O crack não é uma droga igual às outras. O dano que causa ao organismo, em particular ao cérebro, é rápido e praticamente irreversível.
Em poucas semanas, muda as conexões cerebrais e a memória do prazer, passando a comandar a motivação e o desejo de forma avassaladora. O dependente sem tratamento morre cedo; quando tratado, torna-se um doente crônico, com frequentes recaídas.
Nos últimos anos, ocorreu uma explosão no uso do crack no Brasil.
Ela vem sendo detectada por milhares de prefeituras, pelos ambulatórios, pelos hospitais e por profissionais de diversas áreas.
Mas, apesar das evidências, fomos surpreendidos pelas declarações da secretária nacional de Políticas sobre Drogas, Paulina Duarte, afirmando que a epidemia do crack "é uma bobagem".
Sendo dirigente do órgão do governo federal responsável pelo enfrentamento do problema, a palavra "bobagem" dita pela secretária poderá ter consequências trágicas.
Hoje, já morrem mais vítimas da epidemia do crack do que de todas as demais epidemias virais somadas. Pelas amostragens municipais, podemos inferir que 1% da nossa população está dependente da droga. São quase 2 milhões de brasileiros! Nos Estados Unidos, onde circula há mais tempo, chegou a 4% de dependentes.
Os sinais da epidemia estão em toda parte. No Brasil, entre as drogas ilícitas, já é responsável pelo maior número de ocorrências policiais e de urgências médicas.
Seu tráfico já responde por quase metade dos homicídios do país!
Ignorar esse gravíssimo problema só pode ser explicado por um viés ideológico. O mesmo que, de um lado, propõe legalizar as drogas e, de outro, minimiza o problema, tratando-o de forma genérica e sem foco. A consequência dessa visão é a paralisia, que pode ser fatal para milhares de jovens.
Mais grave do que minimizar o problema, talvez seja a lentidão de como se trata a questão na prática.
Em maio de 2010, o governo federal anunciou R$ 410 milhões para enfrentar o crack. Até agora, menos de 20% disso foi liberado.
A modesta meta de criar mais 2.500 leitos para desintoxicação continua no plano das intenções.
Com o insuficiente financiamento da saúde, menos de 10% da promessa foi cumprida.
Também as limitadas ações de vigilância nas fronteiras com os países produtores de cocaína ficaram severamente comprometidas com os cortes feitos nos orçamentos de nossas Forças Armadas e da Polícia Federal.
O simples fato de a droga permanecer tendo o mesmo preço para consumo que tinha há cinco anos revela que as apreensões feitas até agora nem de longe afetaram sua oferta para um consumo que cresce geometricamente.
Temos um enorme desafio pela frente. Mas, para vencê-lo, é preciso antes de tudo reconhecer que a epidemia do crack é uma realidade.
Ignorá-la, por desconhecimento ou por ideologia, é uma bobagem que pode custar a vida de muitos brasileiros.

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“Uso de drogas existe solução, mesmo ele não querendo”.
Tadeu Assis - Técnico em Dependência Química.
-  Projetos de Prevenção e Palestras em Escolas e Empresas.
-  Tratamento: Modelo Misessota – 12 Passos - TCC.
-  Acompanhamento Terapêutico e Cursos de Capacitação.
Contato: (22) – 9914.3450

domingo, 10 de julho de 2011

UM SONHO DE LIBERDADE!!!

O filme “Um sonho de Liberdade” (com Tim Robbins e Morgan Freeman) trata da prisão do “Tim,” acusado de matar sua mulher. Ele é inocente, mesmo assim condenado à prisão perpétua.

Ele faz o personagem de um homem inteligente, bem sucedido, honrado. Inicialmente ele é vítima daquele mundo novo, de abusos de toda espécie como é nas prisões.

Onde é que eu quero chegar? Primeiro; na organização interna do protagonista, no controle de seus impulsos, ansiedade e emoções, sem perder por um segundo sequer o seu objetivo. Segundo: sua habilidade em fazer acontecer o que desejava.

O fracasso dos obesos em suas dietas é que eles não se organizam para uma mudança radical de vida. Eles querem ficar magros comendo como um gordo e não trabalhar para a evolução pessoal. Nem corrigir os defeitos de caráter que vão estruturando e fortalecendo durante o adoecer. Adoecemos enquanto nos empanturramos com comidas, o que vai construindo e fortalecendo esses defeitos de caráter, como mecanismos de defesa.  Para não precisarmos fazer nada para mudar o quadro.

O imediatismo é um dos defeitos de caráter que desenvolvem. Levam anos engordando e fazendo um monte de dietas criminosas porque querem emagrecer em dias, quem promete isso está pondo sua vida em risco.

O nosso protagonista leva anos para consegui realizar seu desejo de liberdade, com estratégias muito bem articuladas, alem disso exige dele um comportamento de muita discrição para não por tudo a perder.

Emagrecer dentro dessa proposta é isso: saber aonde quer chegar, como chegar, o que fazer para chegar e nunca se esquecer de sua meta. Dificuldades existem e são elas que fortalecem o nosso caráter.

Veja o obeso mórbido, eu fico pensando na crueldade de quem o colocou nessa situação,: Se uma pessoa tiver que batalhar pelo pão de cada dia, fazer sua comida, lavar sua roupa, arrumar sua cama, com toda certeza ele não chegaria onde está. O movimento para a sobrevivência o obrigaria a manter um peso menor. Sempre que eu perdia a condição de amarrar um tênis, hoje eu sei que inconscientemente, eu controlava meu comer porque entrava em pânico.

Nunca dê nada na mão de um obeso, que ele se levante e vá buscar. Ao atendê-lo você se torna co-responsável. Não o crucifique, mas não facilite nada para ele.

Tornamos-nos o nosso próprio cárcere, aprisionados em uma doença totalmente desconhecida, que a definição nem os profissionais conhecem. Adoro televisão e seu amontoado de desinformações.

Eu fiz muitas horas de estágio em hospital psiquiátrico, talvez tentando encontrar respostas. Hoje eu sei que não são os lugares, mas que é a nossa “alma” que está prisioneira em si mesma, vulnerável, vítima e cúmplice dessa doença que somente você pode ser o agente de cura. Não pode acontecer como no caso do obeso mórbido, será você a trabalhar sua recuperação, mas isso somente será possível se você tiver UM SONHO DE LIBERDADE, ou continuará cativo de toda espécie de privação, alvo de todos os exploradores e de si mesmo. 

ElizabethChimicati

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Eureca! Eu não sou uma ameba!!!







Quando eu me preparava para o vestibular, eu ficava muito impressionada com a ameba. Não tinha nada a ver com os males que ela causava. Era alguma coisa na sua forma parasitária de ser, até sua locomoção é través de pseudópodes.

Ele não tem rumo, direção, orientação, seja qual for o seu não chegar, usa meios de locomoção lançando aleatoriamente, falsos recursos para se locomover. Por muitos anos e até hoje, a ameba deixava-me intrigada.

Com os anos, no agravamento de minha doença descobri o porquê do desconforto com a ameba. EU ERA UMA AMEBONA. Eu não comandava a minha vida, vivia como as amebas, às cegas, lançando-me a esmo em qualquer direção. Eu não sabia OLHAR E AGIR.

Um dia cheguei à casa de meu filho e minha nora e, tinha sobre uma mesa uma cobertura e um monte de peças de um quebra cabeças, sobre essa cobertura, e eu disse a eles, como é possível começar esse trabalho? dessas peça qual escolher como primeira, é impossível!

Eles me explicaram: “nós olhamos a gravura na tampa da caixa, depois separamos as pessas da mesma cor e fazemos pacotinhos separados, Escolhemos por onde vamos começar e trabalhamos com a cor escolhida”...

As coisas estavam começando a se organizarem dentro de mim e, um amigo muito querido fez alguns comentários muito lúcidos paramim. “Cada um vive de acordo com a sua visão e seus atos, um puxa o outro. A visão amplia o ato, o ato aumenta a visão. Ver e agir são dois processos essenciais, no desenvolvimento a ação é o reflexo da visão e a visão se expande com o movimento da ação. Ver e agir são processos sem limites”... Jerê

À medida que vim me tratando e emagrecendo, fui percebendo uma mudança muito grande no meu fazer, já havia me transformado em primata e vislumbro agora me transformar em homo sapens.  





Como? Aproveitando todas as experiências que já expus neste trabalho.
1= vou por um forro em minha mesa mental e espalhar sobre ela a minha vida, um tema de cada vez é claro. Podemos criar prioridades, aquilo que estiver mais bagunçado em minha vida, é a prioridade. Se estiver gordo, se tratar é o que vem em primeiro lugar, a obesidade causa obnubilação da consciência. É um quadro de letargia, a vida pára. Como amebas nós vamos levando vida afora.

“Cada um vive de acordo com a sua visão e seus atos, um puxa o outro. 

Se eu limpo minha mente da obsessão eu vou ampliar minha visão e meus atos seguiram essa visão. Ver e agir são processos sem limites”...  cabe a cada um de nós entendermos o que esta sendo exposto e praticar.

Com todo e qualquer aspecto de nossa vida, podemos abrir o forro, olhar, analisar, planejar, excluir, incluir, vida é para ser planejada, precisamos aprender a contornar, esperar. Adiar, desistir, buscar outras coisas para substituir, completar.

Não, definitivamente eu não sou mais uma ameba. Quero ser um hono sapiens. A era de troglodita acabou, agora é outro tempo.



ElizabethChimicati

domingo, 3 de julho de 2011

DEPRESSÃO: NÃO VIDA!!!

Era uma manhã chuviscada de domingo e fria.  Minha mãe me mandou ir comprar pão para o café da manhã.

Eu acordei em uma cama diferente, na sala de uma casa estranha. Era o acordar num tempo e espaço que eu não identificava.

Fui, comprei o pão, o leite, e, ao voltar para casa, encontrei no caminho uma mulher que as crianças chamavam de “feiticeira”. Contei para minha mãe e ela, muito tranquila disse: só porque ela é diferente não significa nada; e não existem nem feiticeiros e nem feitiço.

Esse fato só é relevante por que eu sei, através dessas parcas lembranças o que as crianças diziam. Isso confirma que eu já morava nessa casa há mais dias, conhecia o caminho, me lembro da mulher e de certo movimento de crianças por essa casa nova.

O que foi que aconteceu? Como? Quando? Onde eu estava? Cadê meu pai? Ninguém fala mais nele. Eu não tenho coragem de perguntar, acho que não quero ter a confirmação.

O que tem tudo isso com depressão? Lá vai vou explicar!

Eu vinha lendo o livro de minha vida. Tinha a nossa casa na Rua Progresso, meu irmão, minha mãe, meu pai e todo o meu universo infantil. Meus cantinhos, meus brinquedos, a porta que eu abria para o meu pai todos os dias em clima de grande festa quando ele chegava do trabalho. O cheiro do fogão à lenha, o mico de verdade que ele me deu, minhas piorras, tinha piorra musical também. Panelinhas e fogãozinho, minhas bonecas, minha caixa de lápis de cor de dobrar muitas vezes. Tinha minha caixa grandona de massinha de modelar e, as balas Imperial que ele fazia grila. As frutas que ele preparava numa cestinha para eu levar para as minhas amiguinhas eram muito pesadas.

E aos domingos ele ficava lendo o jornal, me entregava o encarte infantil. Eu deitava no chão ao seu lado, abria a minha caixa de lápis e ficava ali, colorindo e resolvendo todos os jogos do encarte, vez por outra eu o chamava para ele ver minhas obras e ele, de forma um pouco displicente, olhava, elogiava e voltava para o jornal. Esse momento era dele e ele deixava isso claro, de forma gentil e delicada.

Jornal dobrado, brinquedos guardados, eu me enganchava em seu pescoço, segurava em seus cabelos e assim ficávamos até na hora do almoço. Depois ele ia dormir.

Meu pai sabia amar uma criança, sabia cuidar e dar atenção; e cuidar de seus interesses também. Nós nos amávamos muito, fui muito feliz. No jardim eu era uma criança segura, serena, extremamente pacífica.

Foi aí que arrancaram páginas do meu livro, poucas, mas que criaram uma lacuna impossível de ser resgatada. Eu não vi, não sei como aconteceu; eu só acordei numa convulsão epilética, naquela casa estranha que, pelos fatos, é possível entender que eu já morava ali há algum tempo, não sei. Só não tinha a menor lembrança, de como cheguei ali, nem bonecas, panelinhas, massinhas, nem meu pai.

Ao voltar das compras eu disse para a minha mãe que eu estava passando mal, com as vistas manchadas e o estômago ruim, ela me mandou deitar e rezar, foi dito, foi feito. Depois de um tempo, segundo ela, eu comecei a falar tudo embolado, incompreensível, e, para me repreender, ela se virou para mim e eu estava com o rosto todo torto.

Levaram-me para o pronto socorro, por lá fiquei um tempo e sai com a recomendação de não ser acordada em hipótese alguma, e quando eu acordasse tomasse um banho e uma sopinha bem levinha.

Foi uma só convulsão epilética, um fato isolado, paixão pela perda de meu pai. Meu mundo perdeu todo o perfume, toda a cor, toda a vida, meu porto seguro naufragou. Tornei-me um zumbi.

Essa tristeza profunda nunca foi trabalhada, nunca foi dita, apenas sentida em minha solidão. Que nem eu sabia que estava lá. Meu pai, meu amor, você deixou ela nos vencer, mas isso é problema seu.

Tornei-me uma jovem arredia, solitária, mal cuidada, mal amada. Profundamente triste, porém com um lindo sorriso; o quadro que foi se agravando bem lentamente e fez da minha vida um tormento e claro, de quem estava em volta também.

Os médicos que eu procurava, todos me davam remédios para depressão, sem orientação nenhuma. Eu devo ter tomado tudo o que já existiu, porque remédios e dietas todos os médicos acham que estão aptos a receitar, ONIPOTÊNCIA?  Concorrentes com o DIVINO?

Foram tantas as porcarias que tomei anfetaminas, misturada com antidepressivo, ansiolíticos, soníferos, e aquelas fórmulas criados por alguém que se considera DEUS. Eu fico pensando como sobrou alguma coisa no me cérebro.

Se não bastassem as anfetaminas, surgiu também a fluoxetina, o Lexotam, são receitados como água e, a cada dia mais um milagre farmacológico. Que qualquer um receita: clínico, ginecologista, cardiologista, ortopedista, urologista, neurologista, menos o psiquiatra. Eu sempre pergunto para as pessoas que me contam que estão tomando remédios: quem te receitou? Qualquer um, raramente um psiquiatra.

Graças a Deus eu encontrei um psiquiatra que quase me matou e com isso eu encontrei o Doutor Leonardo, com quem eu trato há seis anos, e, desde dezembro de 2010, venho ressurgindo dos mortos, nesse renascimento venho descobrindo o que é saúde mental. Meu nível de produção, de investimento no que me disponho a fazer e resistência para vencer obstáculos, persistência. E uma paixão enorme por mim e por meu trabalho.

Eu saí de um estado de não VIDA, em que viver estava cada vez mais difícil, tudo era um grande sacrifício para mim. Eu me entreguei a essa uma não vida. Porém, ao mesmo, tempo existe dentro e mim uma força imbatível. Em 1988 eu disse: vou sair dessa. Tem que existir uma solução e eu a encontrei. Esses vinte e três anos de busca tiveram momentos de queda, eu estava inventando uma saída, que não funciona 100% pois, dependo de alguns outros profissionais, é o que mais dificulta, mas não suportava mais o gosto amargo da depressão.

Toda esta exposição que eu estou fazendo de minha intimidade num meio tão perigoso é para chamar sua atenção para o fato de que a depressão é um estado emocional de extrema gravidade, não é para negligenciar, ignorar, nem achar que é frescura; já ouvi isso e muito mais. Ninguém, nem seus amigos, pais, ou vizinhos estão aptos para esse diagnostico que só poderá ser feito e tratado por um psiquiatra e mais ninguém. Quando você quebra uma perna o psiquiatra cuida de sua perna? Então é um ginecologista? É um cardiologista? Também não? Então LEMBRE-SE: CADA MACACO NO SEU GALHO. E mesmo assim muito cuidado, é a sua vida, sua saúde. Não é um diploma que faz um profissional, mas o seu compromisso com seu cliente e sua ética.

Sofrimento emocional tem sempre uma causa, não importa se você tenha consciência disso ou não, ele estará lá comendo sua “alma” te transportando para a não vida e, precisa ser tratado e muito bem tratado.

Elizabeth Chimicati