segunda-feira, 27 de junho de 2011

Quem é o comedor compulsivo?


Temos observado que, ao engordarmos, estamos iniciando o nosso adoecer e desenvolvendo uma forma especial de ser, de relacionar-se consigo mesmo e com o mundo. Como a gordura é apenas o sintoma físico aparente de um distúrbio também psicológico, a doença confere ao Comedor Compulsivo traços que o identificam, traços que são criados por ele como mecanismos de defesa neuróticos.
E por isso que esta parte do trabalho pode até ser rejeitada, pois poderemos não querer nos identificar, mas não há como fugir ou negar: quem viu um dependente compulsivo pela comida, viu todos.

Fracos?
Parecemos fracos e até acreditamos que somos fracos. Nós nos sentimos assim porque pensamos que o controle da compulsão para comer depende de força de vontade. Porém, a força cansa e a vontade acaba! Força de vontade é tudo o que não iremos precisar e não irá nos ajudar em nada. Não é uma questão de fraqueza, mas de não saber como e aonde ir, uma vez que os caminhos, até então percorridos, nos apontam apenas para o fracasso.

Pecadores, culpados?
Estamos praticando um dos “Sete Pecados Capitais”, a gula; o que nos enche de vergonha e culpa. Mas, se estamos praticando um crime, este é exclusivamente contra nós por tanto sofrimento que causamos a nós mesmos. Não desejamos esta situação. Ela é a conseqüência da nossa ignorância, e do despreparo de alguns profissionais dessa área, que continuam num caminho, que aponta sempre para a mesma resposta. Nunca param para questionar onde está a falha do tratamento. Apontam o fracasso sempre para o Comedor Compulsivo, mas jamais para a inabilidade em lidar com algo, até então, pouco compreendido ou quase nada.
Desleixados?
É o reflexo de uma auto-estima muito baixa! A imagem que fazemos de nós mesmos é sempre desvalorizada, negativa, feia, inferior. Tudo o mais é muito difícil, cansativo. Não sabemos como cuidar de nós, da nossa doença; e muitos de nós, nem sabemos que estamos severamente doentes.
Preguiçosos?
É mais uma conseqüência da doença. Cansados, excessivamente pesados, não acreditamos mais em nós mesmos. Incapazes de qualquer ação transformadora; estamos fracos, derrotados, incompetentes, não tão bons, feios, prejudicados na inteligência, atenção e concentração, assexuados, humilhados e com vergonha. Além de uma desconfiança paranóica, cremos (e muitas vezes é verdade) estar sendo motivo de fofocas e falatórios, deboche se divertimento para outras pessoas. E, ainda, existem aqueles que se acham muito originais, divertindo-se com a doença do comedor compulsivo, Ainda surge o movimento dos fracassados “gordinhos” modelos, Pega leve, a ambição dos empresários está reforçando uma grave doença, infelizes são vocês e sua ambição. Estamos lidando com uma doença tão fatal quanto o câncer, e outras, mas que felizmente é controlável, embora não induza nas pessoas a comiseração que o câncer é capaz de induzir. Num quadro desses, como o nosso, ter energia ou disposição para quê? Não somos preguiçosos! Experimente viver carregando dez quilos em cada braço e cada perna...
Simpático?
Para nós essa simpatia está bem mais próxima de um distúrbio psiquiátrico que é a “obnubilação da consciência”, uma relação nublada com a realidade. A realidade fica engordurada, embaçada, não havendo clareza suficiente para Ver e compreender o que se passa à nossa volta. Essa simpatia confunde-se ainda com uma ingenuidade patética, fazendo-nos bem mais servis; e não possuidores de carisma e auto-estima, que se faça respeitar e admirar.

Bonzinho?

Essa característica se confunde com “câmara lenta”: está sempre naquela de “Ah, é...E?!!!” Está sempre atrasado e nem percebe que está sendo magoado, agredido ou ofendido. E se o percebe ainda é ele quem pede desculpas! O bonzinho é aquele; que não pode dizer “NAO”, pois tem que agradar a gregos e a troianos, caso contrário morre de culpa. Ficar com raiva? Nunca! Seria quase um sacrilégio! A maioria de nós não sabe nem identificar a raiva entre os seus sentimentos. A raiva é um sentimento de quem tem auto-estima bastante adequada.
Sultão?

Odeia esportes, por isso fica ainda mais gordo e, uma vez mais gordo, acaba se afastando dos exercícios físicos. Como um sultão prefere ficar deitado no sofá ou em almofadas, abanado por odaliscas, recebendo uvas na boca e dando ordens a todos que estiverem por perto: “Atenda ao telefone, atenda à campainha, pega água pra mim, descasca uma laranja pra mim?, ligue para o tele-pizza, cadê o meu sapato?, cadê as chaves?”

Falastrão?

Sem medidas pra tudo, faltam-lhe referências do que será necessário, quanto, quando, para quê e por quê. E um falar sem reflexão, sem conteúdo, sem ponto e vírgula, sem destino. A maioria fala compulsivamente. O “falastrão” tem imensa dificuldade em ouvir o que o outro está falando - sua maior tortura é conversar com alguém que fale tanto ou mais que ele.

Colecionador, bagunceiro?

Temos uma grande dificuldade em nos organizar em todos os aspectos, no tempo e no espaço. No escritório, a mesa é o caos. E o armário? E genial, não dá pra entender como cabe tanta coisa, é simplesmente entupido! É tão empanturrado quanto o próprio comedor compulsivo. O que é importante é ir acumulando coisas sem nem ao menos saber se vai ou não usar. O que importa é engolir muito de tudo, numa tentativa simbólica de conseguir a saciedade. Acabamos tendo muito de tudo e se desfazer ou “emagrecer” dos excessos de roupas, sapatos, caixinhas, saquinhos, embondos e imbondos é uma enorme dificuldade. Nossos armários são bocas e estômagos complementares. A casa é toda entulhada, como se fosse de um colecionador. E o quintal? É aquela bagunça! Entulhado de coisas que “quem sabe pode vir a precisar algum dia”. Enfim, onde existe um comedor compulsivo existe exagero, ou a perda de todas as medidas e referências de quantidade!

E no supermercado?
Alguns, em virtude das facilidades atuais, compram tudo por telefone sem ver a qualidade do que estão comprando. Confiam no vendedor. No supermercado, atrás deles existe uma fila de carrinhos. Os produtos escolhidos são típicos: bacon, presunto, lingüiça, maionese, manteiga de leite... Todo tipo de guloseimas que vêm em pacotes (que além de gordura, sal e corante não têm, mais nada), doces, sorvetes, bolachas... Aos montes! Sua voracidade não é apenas pela comida. É por tudo o que se possa imaginar. Para ele tudo é pouco. Fica sempre com muito medo das coisas não serem suficientes. Lidar com a falta, frustração, adiamento é simplesmente insuportável. É a morte. Sua carência é tão descomunal que o “um” não existe, nunca é o bastante!

Imediatista? .

Esperar nunca, jamais, é insuportável! O comedor compulsivo usa a sua carinha de bonzinho para fugir das filas. Ele está sempre comendo cru por não saber aguardar o tempo das pessoas ou o amadurecimento das idéias, sentimentos ou situações. Antecipa-se a tudo e a todos impulsivamente, como traço de personalidade infantil. Em alguns isso é tão forte que chega a ser um sério obstáculo à sua recuperação, pois ele quer pra ontem, hoje já não serve. Ele quer mágica, daí o fato de estar sempre procurando um milagre que o faça deitar gordo e acordar magro. Está sempre só, pois afugenta, assusta os possíveis parceiros com a sua voracidade e tirania e, por outro lado, tem pavor de solidão!

Desonesto?
Talvez seja a nossa característica mais complicada, mais difícil de trabalhar. Somos desonestos e dissimulados, como mecanismo de defesa. No que diz respeito à dieta, é aquela carinha de gordinho simpático que fala ao nutricionista: “Não sei como não emagreci o esperado (ou por que engordei), fiz tudo tão certinho...” e tenta torcer os fatos para que o nutricionista perca bastante tempo pesquisando o que há de errado com o seu metabolismo; com isso ele vai engordando, engordando. Ele está recaído e não admite. Não há nada de errado com o seu metabolismo.

Idéia fixa?
Se você convidar um comedor compulsivo para um passeio, a primeira coisa que ele quer saber é sobre a comida: “Como vai ser? O que vai ser feito? Quem vai fazer?” Ele até se oferece para comprar e cozinhar (em geral são bons gounnets ou excelentes cozinheiros), assim ele garante a sua comilança e o direito de comer mais que todo mundo. O comedor compulsivo só fala em comida. É seu tema predileto e é do que ele mais entende, vive da comida, com a comida, para a comida, a sua vida gira em tomo da comida. “Ele só pensa naquilo”...

Dependente?

Ele torna-se um especialista em dar ordens, fazer com que os outros façam por ele e para ele: “Pega um copo d” água pra mim, busca o meu casaco, onde estão as minhas chaves? “Leva-me, me busca...” Vai se desenvolvendo uma doença familiar que, além do envolvimento emocional neurótico - a co-dependência, todos passam a viver apenas para servi-lo ele perde toda a autonomia na vida, abre mão de um dos nossos direitos mais sagrados: O direito de ir e vir. O comedor compulsivo não vai e volta, ele é levado e trazido. Se ficar sem carro, o mundo vem abaixo,. Ele não sai do lugar. Fica mal humorado, briga e chatageis.

 Carente?

Carente, vai com qualquer um e acaba aceitando qualquer coisa! Pra ele tudo serve tudo está bom, gruda nas pessoas como carrapatos. Alguns parecem vampiros, sugam tudo que podem do outro: amor, proteção, segurança, ajuda, energia, compreensão, saber. Tenta daqui e dali se fazer amar e nunca está satisfeito ou feliz com o amor que recebe. Para ele é sempre pouco. Sua insaciabilidade e voracidade acabam por deixá-lo mais só, por que é muito sufocante para as pessoas relacionar-se com ele.

Egocêntrico?

Ele é o centro do universo, tudo precisa girar em torno dele, nunca se preocupa com o que o outro está sentindo, suas dores, tristezas, alegrias e vitórias.
 É comum justificar que sua dificuldade em fazer dieta é por que... Quando... Se...; enfim, é necessário que o mundo mude o seu curso, para que se trate. É o mundo que tem de se adaptar a ele, e não ele com a sua doença no mundo. No desenvolvimento da doença, aprendemos a buscar alívio para todos os nossos conflitos na Comilança Compulsiva. Comer compulsivamente é ser impulsionado por uma vontade incontrolável, sem crítica; e, à medida que temos o corpo deformado pelo acúmulo de banha, enfrentamos um enorme conflito, que não sabemos como resolver efetivamente, porque a experiência própria ou alheia aponta sempre para o fracasso.
Por tudo isso e por nos sentirmos incapazes, impotentes para resolver efetivamente o problema (e somos sozinhos), seguimos nosso caminho, nos atolando cada vez mais na comilança. Nessa altura de nossas vidas, somos muito infelizes; e todos que convivem conosco, companheiros, pais, filhos, amigos, sentem-se envergonhados da nossa companhia. Estar em público com o comedor compulsivo é ser alvo de atenções negativas. É atrair olhares, cochichos, risinhos e, é claro, por mais que quem convive conosco nos ame, irá sentir vergonha e raiva da situação. Já não somos bem-vindos nas festas ou almoços familiares. Representamos um desfalque. 
Você pode estar se perguntando novamente: como é possível uma pessoa viver tudo isso sem se dar conta do que está lhe acontecendo? É simples: nós usamos mecanismos de defesa que não nos permitem sozinhos, ver e identificar o que precisamos mudar. São mecanismos neuróticos que servem para nos proteger de sofrermos toda a dor que esse quadro nos proporciona; permitindo, assim, que fiquemos como estamos. 

ElizabethChimicati

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Eu preciso parar de assistir tv!!!



       Hoje pela manhã eu estava ouvindo o Jornal da Record, que eu gosto muito, Por considerar o pessoal simples, bem humorados, pessoas de bem consigo. Mas meus amigos, não banalizem temas de extrema importância, realidades que põem a vida das pessoas em risco e, a banalização de um tema mal conduzido em uma reportagem é muito grave.
          Voltando à baila, o tema foi a obsessão das mulheres com a perfeição de seus corpos. É difícil para vocês imaginarem o quanto isso é patológico? E que aparecer na mídia é um premio para tal patologia. Eu só ouvi a reportagem, iria ignorá-la, mas, não pude; afinal esse é o meu tema de trabalho, distúrbios alimentar.
          Uma das entrevistadas gloriosamente disse o seguinte: -“Eu não consigo tirar o foco dessa gor...” – E possível vocês perceberem, que se a minha atenção esta voltada para um único ponto, fica muito fácil fugir de todas as coisas que  incomodam em  minha vida? e que eu não sei como resolver ou não sou capaz de fazê-lo e pior ainda, nem tenho a consciência do que está me acontecendo.
          Fica claro com essa reportagem, e outras sobre o tema, o que é objeto de compulsão, nesse caso é o corpo, as entrevistadas foram muito claras, “eu só vejo isso, só foco isso”..., e nós comedores compulsivos ou qualquer outro usuário de drogas só pensa e foca o seu objeto de compulsão, no casa do comedor compulsivo, ele está comendo agora e esta pensando o que mais vai comer.
          Enquanto nos entregamos à nossa obsessão, ignoramos um mundo à nossa volta, filhos, marido, trabalho, casa, e esse mundão de desgraças por toda parte. Com tudo isso não adianta nada você ir para frente do espelho e ficar fazendo um culto de auto-adoração, isso chama negação, é um mecanismo de defesa que será usado da mesma forma: SUA ATENÇÃO CONTINUARÁ PRESA A SEU CORPPO.
          Essas pessoas não podem ser reforçadas em sua patologia, isso é muito sério; e a responsabilidade da mídia é grande. Aceitar e gostar do nosso corpo saudável é sinal de saúde mental, do que serve um corpo perfeito com uma mente doente?  


 Essas pessoas não podem ser reforçadas em sua patologia, isso é muito sério; e a responsabilidade da mídia é grande. Aceitar e gostar do nosso corpo saudável é sinal de saúde mental, do que serve um perfeito com uma mente doente?   

Quem me conhece sabe como eu gosto de dicionário, segue a pesquisa de uma palavrinha tão simples:

mal-
(latim male, mal)
elem. de comp.
Entra na composição de várias palavras e significa mal, de maneira imperfeita (ex.: malsucedido).

Nota: É seguido de hífen quando o segundo elemento começa por vogal ou h (ex.: mal-educado, mal-humorado).

Mal
(latim male)
s. m.
1. Tudo o que é oposto ao bem.
2. Infelicidade, desgraça.
3. Calamidade.
4. Dano, prejuízo.
5. Inconveniente.
6. Imperfeição.
7. Ofensa.
8. O que desabona.
9. Aflição.
10. Doença.
11. Lesão.
adv.
12. Não bem.
13. Imperfeitamente.
14. Pouco; dificilmente; escassamente; apenas.
15. Severamente.
16. Com rudeza.
conj.
17. Logo que; assim que.
a mal: à força.
do mal, o menos: expressão que indica que, apesar de se estar numa situação problemática, o facto de haver algo mais positivo ou favorável torna a situação mais suportável ou animadora.
Fazer mal a: danificar; prejudicar.
Mal francês: veneno.
Bras. Infrm. Trocar de mal: zangar-se.

ElizabethChimicati

sábado, 18 de junho de 2011

O direito à informação e a liberdade de expressão!


Hoje pela manhã, na TV Câmara, estava acontecendo a votação para se decidir a necessidade ou não do diploma para os profissionais da comunicação.
Isso é irrelevante, o mais complicado é a questão da Liberdade X Responsabilidade.

“O homem está condenado a ser livre” Jean Paul Sartre

          Em nome dessa liberdade, em respeito aos outros seres, e estando o homem condenado a tomar suas próprias decisões. Terá de estar consciente de que, suas escolhas vão refletir os resultados, não podendo negar sua responsabilidade, sobre suas escolhas e suas ações. O que em nossa cultura é desconhecido de muitos. Nossa educação não valoriza respeito e responsabilidade, buscam somente a “liberdade” e liberdade sem esses atributos é libertinagem, vandalismo...
          O que vem acontecendo nos meios de comunicação; é um pouco diferente. Tem sido um desserviço, ou um serviço de desinformação, banalização e desconhecimento de assuntos importantes em que os apresentadores, expressão opiniões e pensamentos do senso comum. Com diploma ou sem diploma as pessoas que se dispõe a uma determinada função, ou seja, faz uma escolha, sua liberdade o condena a uma responsabilidade com essa escolha e com o universo.
           Em poucas passadelas que faço pela TV, me surpreendo com cada aberração que tenho sentido a obrigação de tentar informar, pelo menos às pessoas que se interessam por meu trabalho.
          O que se diz sobre auto-estima, obesidade, os tratamentos propostos é uma maldade, é direcionar pessoas com a condição emocional e psicológica a sérios riscos. Eu não sei de quem é a responsabilidade dos textos ou dos roteiros, o que eu sei é da gravidade de tudo isso eu já escrevi sobre isso está no Blog.
          Quando o programa leva um profissional que realmente poderia contribuir com informações relevantes para o expectador, o apresentador faz uma dissertação sobre o tema, no lugar de perguntar, fica numa verborragia de duas horas querendo mostrar conhecimento para obter a aprovação do convidado, (existem dois terríveis) e, quando é dada a palavra, ao entrevistado, ele elegantemente, se tem boa percepção, simplesmente limita-se a concorda com o apresentador, pois já percebeu a vaidade, arrogância e ignorância do mesmo e, qualquer coisa diferente que ele diga poderá criar um desconforto.  
          As perguntas deveriam apenas para servir de estímulo para o convidado entrar no tema e durante, com perguntas inteligentes e pertinentes para uma boa explanação do convidado; para assim não ficarmos reféns da desinformação.   
          Tem que ter diploma ou não? O que eu tenho certeza é de que tem que ter consciência ética, responsabilidade não banalizando temas tão sérios que podem colocar vidas em risco.

ElizabethChimicati  

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Dedicada aos comunicadores...

“Assim eles ganham auto-estima”

     “Ganham auto-estima!!!” Onde estão distribuindo?

     È inconcebível que a nossa televisão, canal de forte audiência seja tão inconsequente, que não tenha profissionais para analisar os textos e ficam falando um monte de asneiras.
Sábado 11/06/2011, como sempre, antes de sair da cama dei um passeio pelos canais da "tv" (é minúsculo mesmo). Gostei de uma matéria sobre um atendimento que é feito em São Paulo às pessoas com restrições físicas de toda natureza. Um belo trabalho, eu fiquei orgulhoso em ser Brasileira. Porém, nesse momento entra o apresentador da matéria dizendo; “com a melhora os pacientes..., solta a PÉROLA “ELES GANHAM AUTO-ESTIMA.”
Pobre RICO rapaz, vocês não têm o direito de errarem em conceitos muito importantes, não fale sobre o que não sabe ou estude antes de falar, auto-estima é um conceito muito diferente do que vem sendo usado, isso é conceito de 1900, do início do século XX. Estamos no século XXI.
Saiba que ninguém pode nos dar auto-estima, isso é algo que nada que venha de fora é capaz de favorecer ou fornecer. Auto-estima parte de dentro para fora, ao contrário do que se pensa é muito mais o resultado da vivencia de valores éticos/moral. O alicerce para uma boa auto-estiva é construído durante a infância na família e depois na escola.
A auto-estima é fundamental para uma pessoa viver os momentos difíceis da vida, sendo adequada a auto-estima, a pessoa será mais criativa, mais resistente e mais determinada para encontrar saídas. Não se deixará sucumbir. Por outro lado, a pessoa com baixa auto-estima irá sucumbir, não terá energia nem criatividade para buscar soluções.
Vejamos os obesos que emagrecem com tratamentos convencionais; como eles não têm uma boa auto-estima voltam logo a engordar, além de outras razões que as pessoas que me acompanham já sabem. Nas cirurgias bariátricas não ocorreria o grande número de suicídios, nem o deslocamento do objeto de compulsão, nesse caso a comida não seria substituída pelo o álcool, sexo compulsivo e promiscuo e todas as mazela que todos já sabemos que acontece.
Este texto estava rascunhado desde 11/06/11 e, ontem, em outro canal, dessa vez à noite vem a chamada para uma matéria sobre as mulheres que estão sempre insatisfeitas com seu corpo. A infeliz da apresentadora chama isso de falta de auto-estima. Ao final desse texto vou colocar para vocês uma bibliografia sobre auto-estima e uma lembrancinha, apenas com palavras que busquei no dicionário, que definem como eu vejo estas mulheres. Esta surgindo uma nova patologia, compulsão pela “beleza” que só num mundinho como o nosso, beleza é um valor de vida ou morte, superior a Carter e moral.
Não estou fazendo nenhuma apologia ao desleixo, eu também me cuido fiz cirurgias plásticas quando emagreci, não fiquei aquela garota linda que era, mas, retirar o excesso de pele me fez muito bem e chego a me achar muito bonita.
Se vocês da comunicação vão usar palavras banalizadas pela mídia, procurem antes estudar sobre o que vão falar muitas vezes uma boa consulta ao dicionário dá uma luz da besteira que estamos fazendo. Auto-estima é um conceito, matéria de estudo e não apenas uma palavrinha bonitinha, caso não esteja disposto à pesquisa ou ao estudo, use um vocabulário que vocês conheçam e não que pensem conhecer. Não se pode estar confundindo auto-estima com luxuria.
Eu estudo auto-estima ha +/- 15 anos. Abaixo, a bibliografia que prometi que será suficiente se rigorosamente estudado e minha pesquisa feita hoje 16/06/11. No dicionário.

Auto-estima; e os seus seis pilares Ed. Saraiva Nathaniel Branden


Luxúria
(latim luxuria, -ae, exuberância, excesso)
s. f.
1. Viço dos vegetais.
2. Lascívia, sensualidade.
Lascívia
(latim lascívia, -ae, jovialidade, brincadeira, lascívia, devassidão)
s. f.
1. Qualidade ou caráter! Do que é lascivo.
2. Propensão para a sensualidade.
Lascivo
(latim lascivus, -a, -um, petulante, brincalhão, licencioso, devasso)
adj.
1. Libidinoso.
2. Sensual.
3. Travesso, folgazão.
Futilidade
(latim futilitas, -atis)
s. f.
1. Qualidade do que é fútil.
2. Pouco valor.
3. Ninharia.
Fútil
adj. 2 g.
Insignificante; vão; frívolo.
Frívolo
adj.
1. Que não tem importância, que é sem valor.
2. Leviano, fútil.
3. Inconstante; volúvel.
leviano
adj.
1. Que julga de leve.
2. Pouco reflectido!.
3. Precipitado, imprudente.
4. Namoradeiro e inconstante.
Imprudente
adj. 2 g.
1. Falto de prudência; irreflectido!; precipitado.
s. 2 g.
2. Pessoa que não tem prudência.


ElizabethChimicati
        

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Mais sobre nós compulsivos


      Algumas pessoas ficam bastante descontentes quando digo a elas, que o nosso distúrbio, compulsão alimentar, é o mesmo distúrbio afetivo emocional, dos usuários de qualquer outra droga, álcool, tabaco, cocaína, maconha, crack, oxi, anfetamina. Assim como o mentiroso, mexeriqueiro, colecionador o verborrágico..., enfim os objetos de compulsão são muitos, muitos mesmo. Até entre os comedores compulsivos existe diferenças, uns preferem comidas salgadas, dentre elas uns preferem as frituras, outros carnes com gorduras e vai abrindo o leque, outros já preferem os doces, eu sou desse grupo, amo sorvetes e doces vendidos em balcões de padaria, aqueles empacotadinhos e existem os que comem de tudo, os quaisquer coisa serve. 
     Além desse questionamento, as pessoas ficam intrigadas com por que dessa diversidade de escolha de objetos, uma vez que o distúrbio é o mesmo. Eu tenho uma vaga idéia, uma vez que não existe um trabalho de pesquisa, esta é a minha conclusão no trabalho com meus clientes.
1- Mais facilidade de contato com uma coisa ou outra, principalmente ma família, é onde tudo começa.
2- Há três décadas passadas as mulheres não tinham muito acesso à bebida alcoólica e cigarros, “mulher direita” não freqüentava bares. Isso por um tempo direcionou mais a mulher do que homem para a comida e o homem para o álcool e tabaco. Na década de sessenta, a mulher inicia toda uma mudança de hábitos, comportamentos com o movimento hip, chega a polêmica maconha, vira moda, pensavam os jovens que, usá-la é ser irreverente, e vem o acido e depois todos já sabem onde estamos.
3- Em uma família onde o consumo de álcool é abusivo, a possibilidade do desenvolvimento de dependências é enorme, porque é genético? Não. Porque conviver com drogaditos é doentio, somente quem convive com um pode contar o que é esta experiência.
Além disso, o álcool é considerado droga de entrada; isso quer dizer que o álcool enfraquece, embaça a nossa capacidade de julgamento, assim depois de um trago vai qualquer coisa, como compulsivos, nós somos incapazes de pular fora no primeiro ponto, vamos afundando mais e mais na busca de prazer que agora é apenas imaginário, os transtornos inviabilizam o prazer “daquele dia.....”da primeira vez, agora só nos resta as conseqüências, cada droga com as suas.
Por preconceito, ao terem esta informação, existem as pessoas que preferem fazer uso de drogas “lícitas” receitadas, lícitas, porque o poderio de alguns interesses, não o nosso, é claro, impedem a ANVISA de cumprir com suas responsabilidades e proibir esta droga letal, é um crime o uso de anfetamina. È droga como a cocaína, heroína etc. então porque não liberar geral? Parar de frescura e assumir a submissão dos órgãos administrativos desse país aos poderes daqueles que realmente o governam? – droga por droga? Os preconceituosos fugiram e caíram no mesmo buraco. E não terá seu problema resolvido. Emagrecer será por um breve período e voltará a engordar... Não existe emagrecimento definitivo, nem com drogas nem com a mutilação do estômago.
A outra escolha é a cirurgia bariátrica que trás inúmeros distúrbios afetivo, emocional e físico, ocorre ainda o deslocamento de objeto de compulsão. Deslocamento é: quando na impossibilidade em aplacar a alucinante ansiedade inerente a todo compulsivo, buscamos um substituto, nas cirurgias bariátricas é muito comum o álcool, drogas e suicídios, inclusive sexo compulsivo e promíscuo. Nesse universo cabe qualquer coisa.
O que eu questiono é o seguinte: se com a cirurgia, além de uma severa restrição alimentar, o operado terá de conviver com tantas outras dificuldades, pra que?
Ah! A equipe faz um atendimento, faz um preparo e a pessoa está consciente do que vai fazer e conviver. Esse preparo é feito em quantos anos? – como é feito? Por quem? Qual o conhecimento dessa equipe do perfil de um compulsivo? Eu nunca vi em nenhuma entrevista alguém que explicasse o que é compulsão, parece conhecerem apenas a palavra, banalizaram-na quando não deram corpo a ela, o leigo não tem que saber de palavrório técnico.
Como é possível trabalhar: negação, resistência, ansiedade (medo) manipulação, desonestidade. Como fazer isso em dias ou alguns poucos meses? Somos apenas psicólogos e não santeiros, (o paciente com toda certeza acredita que poderá driblar sua nova realidade que com ele vai ser diferente, que poderá comer como faz que depois do milagre da cirurgia, não vai engordar. Porém, jamais irá confessar isso a ninguém. Na negação e manipulação o compulsivo é capaz de convencer a uma equipe que ele está pronto para a cirurgia, eles são compulsivos e não burros, muito pelo contrário. Lembrando, para maior horror dos vaidosos que serial Killer é um distúrbio compulsivo, isso explica nossa capacidade de manipulação?
São todos estes traços e muitas outras características que venho sempre apresentando que nos faz neuróticos obsessivos compulsivos, portadores de TOC. Uma disfunção afetiva, emocional que pode variar de intensidade, complexidade, ou ser agravada, se estiver presente, distúrbios psiquiátricos, que complica muito o tratamento que já é bastante difícil.

ElizabethChimicati

quinta-feira, 9 de junho de 2011

"Todo Gordinho quando emagrece, continua gordinho."

 Esta foi a chamada para uma matéria sobre obesos em um canal de televisão. O que será que habilita qualquer pessoa a falar sobre um tema tão complexo como a obesidade? Esse não pode ser mais um lugar que cabe qualquer coisa. Eu vivi uma historia completa de engordar e emagrecer e atualmente mantenho meu estado "magro" já por treze anos. Assim, cuidado com as falas impensadas e irresponsáveis.
 Esta célebre frase deixou-me pasma, perplexa, primeiro em minha santa ignorância gramatical, que não escondo de ninguém. Sou pensante e não escrevente, mas o faço com extrema responsabilidade do que estou falando, pois sei da grande influência que exercemos na formação de opinião das pessoas.
Todo gordinho quando emagrece, continua gordinho”.  Sabe qual foi a conclusão desse pensamento no programa? É que nós, depois de engordarmos, passamos a ter as células adiposas maiores e por isso continuam gordinhos.
         Na verdade o que acontece é o seguinte: você conhece elástico? Já usou qualquer coisa com elástico e na sua experiência constatou que com o espicha e encolhe o elástico perdeu a elasticidade, perdendo até a serventia?  Muito bem, com esses tratamentos desonestos, covardes e criminosos que existem por aí nós ficamos no tal efeito sanfona. O tecido do corpo humano é elástico, com uma capacidade determinada geneticamente para a elasticidade. Em nossa vivência de obesos mau tratados em nossa doença, esticamos o couro ao extremo e depois encolhemos, isso por várias vezes em nossas vidas. Como resultado desse processo ficamos com os tecidos e musculatura de nosso corpo flácidos, sobra muita pele que não recuperou a elasticidade, por isso jamais seremos manequins, mas podemos ser vitoriosos.
Eu tenho uma cliente que sempre comenta: "Beth por que você fica mais magra de pé?" Eu não sabia a resposta. Um dia após o banho, estava sentada em minha cama em frente ao espelho e foi aí que eu compreendi. Ao assentar a pele se junta na região abdominal que parece engordar.
        
Outra coisa, para o autor da célebre frase, Todo gordinho quando emagrece, continua gordinho”.  Primeiro esse seu gordinho não emagreceu, leia a frase; gramaticalmente é isso que você está dizendo. Além disso, não use nunca o adjetivo gordinho: é preconceituoso. Somos gordos ou obesos. Não nos chame de frágeis, não nos infantilize, e parem de falar besteiras sobre a obesidade na televisão ou em qualquer outro lugar. É muito feio veículos de comunicação desinformados e pior ainda: mau informado.

ElizabethChimicati 

terça-feira, 7 de junho de 2011

Outras características das Doenças compulsivas!

Primária

O conceito de primária aqui tem a conotação de primeiro, primeiríssimo, urgente. A doença primária, como todas as doenças compulsivas, tem como característica o fato de ter que ser tratada em primeiro lugar, porque o aspecto obsessivo que acompanha o quadro impossibilita que a pessoa se dedique a qualquer outra atividade, mesmo que seja um tratamento e que sua saúde ou sua vida dependam disso.
Por exemplo, no caso de um obeso que abuse do álcool, o seu alcoolismo terá que ser tratado primeiro; caso contrário, será impossível a essa pessoa tratar a obesidade porque o álcool, além de muito calórico, dissolve qualquer boa vontade ou determinação com a dieta. Ele tem o poder de por tudo por terra. Até mesmo no caso de uma pessoa que beba socialmente, o álcool vai levá-la a quebrar sua dieta. Na verdade, o álcool é absolutamente contra-indicado para o compulsivo, mesmo que socialmente, uma vez que ele perde o controle sobre sua vida com muita facilidade e não vale à pena arriscar.
Em relação a outros tratamentos urgentes, como colesterol alterado, diabetes, hipertensão, se estiver presente qualquer doença obsessiva, não restará à pessoa energia disponível suficiente para fazer as dietas necessárias ao tratamento; por conseguinte ela terá que ser tratada também de sua compulsão para que consiga se submeter à nova dieta. Nesses casos, o acompanhamento médico é tão necessário quanto um programa de recuperação. Dizer a essas pessoas que suas vidas estão por um fio não faz sentido, porque elas têm o pensamento mágico de que essas coisas não podem acontecer a elas; somente aos outros.
Do livro Obesidade uma doença do afeto.

ElizabethChimicati

segunda-feira, 6 de junho de 2011

IV Continuação Outras características...

Continuação..

“Não existe cura” significa: não existe um medicamento, uma vacina, que possa permitir ao alcoólatra beber socialmente, isto é, controladamente, e não compulsivamente. A partir do momento em que ele se tornou um alcoólatra, ou seja, estabeleceu com o álcool uma relação de dependência, ele adquiriu uma doença que se caracteriza exatamente pela sua maneira descontrolada de beber, ou seja, o alcoolismo.
Quando falamos da falta de cura da Comilança Compulsiva, queremos dizer, da mesma maneira, que: do momento em que adquirimos esta doença e perdemos o controle sobre a comida, não mais poderemos comer Iivremente, sem controle e sem conseqeências. A dieta é em ultima analise uma tentativa de nos ensinarmos a comer controladamente; e esse controle terá que se estender por toda a nossa vida, se quiser nos manter saudáveis e com peso normal.

Fatal

Talvez seja esse o ponto mais compreensível, embora, muitas vezes, o mais negado pelos comedores compulsivos. As conseqüências podem ser comprovadas pela medicina: diabetes, colesterol alto, com comprometimento cardiovascular e respiratório, e toda sorte de complicações ortopédicas. Tudo isso, é óbvio, irá abreviando a vida da pessoa, levando-a a una morte prematura. Enquanto ela espera a morte chegar - e irá chegar para todos nós, não resta dúvida – a maneira como ela estará vivendo, até lá, faz uma enorme diferença.


Continua...

ElizabethChimicati


sábado, 4 de junho de 2011

O papel da equipe na Dependência Química.

O papel da equipe na Dependência Química.

          Na modernidade, o avanço do saber produziu o isolamento das disciplinas e os interesses corporativos que levaram a uma fragmentação do conhecimento. Esse fenômeno resultou na racionalidade técnico-científica que regula os processos de trabalho na área de saúde.
          O modo de organização do trabalho tem sido apontado como elemento dificultador da produção de um cuidado integral e de melhor qualidade em saúde, tanto na perspectiva daqueles que a realizam como daqueles que dele usufruem. O trabalho em saúde inclui a particularidade de ser desenvolvido por pessoas tendo em vista alcançar outras pessoas.
          A complexidade envolvida nesse campo ultrapassa os saberes de uma única profissão ou área de conhecimento. A busca de novas formas de organização do trabalho em saúde é uma decorrência evolução do conhecimento e uma necessidade própria da complexidade que os problemas de saúde vão assumindo na contemporaneidade.
          Com a ratificação da racionalidade técnico-científica na formação do profissional de saúde, a tendência da superespecialização acentuou ainda mais o caráter parcelar e fragmentário com que são percebidos os fenômenos que estão em jogo no processo saúde – doença – cuidado, reforçando suas contradições e dicotomias.
          O tratamento da dependência de substâncias psicoativas pode ser tomado como exemplo de um campo complexo e multifatorial, que exige abordagem integrada das diversas dimensões implicadas. A participação do profissional de saúde na equipe interdisciplinar junto aos usuários de álcool e\ou de outras drogas tem como fundamento estratégico propor uma assistência com vistas a estabelecer mudanças na vida do paciente. As possibilidades de construção de uma proposta de intervenção em comum e planificada decorrem, em grande parte, em características da equipe, tais como, flexibilidade, criatividade, porosidade das fronteiras profissionais e compartilhamento contínuos de saberes.
          É necessário que o profissional amplie seu olhar e seu campo de referências, visando potencializar sua participação na equipe, o que implica poder reconhecer os limites e a insuficiência de seu saber frente à multiplicidade inesgotável do fenômeno multifacetado com o qual se trabalho.
          Equipes multidisciplinares são cada vez mais requeridas na área de saúde, na busca de soluções para os problemas relacionados à qualidade dos cuidados oferecidos. A atuação desta equipe em dependência química tem por objetivo implementar estratégias de assistência comprometidas com uma política de enfrentamento capaz de potencializar mudanças de vida do usuário e de sua família.
          Dependência Química é um problema social e de saúde complexo o qual nenhuma disciplina, religião ou profissão pode responder de forma isolada.

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“Uso de drogas existe solução, mesmo ele não querendo”.
Tadeu Assis - Técnico em Dependência Química.
-  Projetos de Prevenção e Palestras em Escolas e Empresas.
-  Tratamento: Modelo Misessota – 12 Passos - TCC.
-  Acompanhamento Terapêutico e Cursos de Capacitação.
Contato: (22) – 9914.3450

sexta-feira, 3 de junho de 2011

III Continuação Outras características...

Na bibliografia apresentada, o leitor encontrará referências a esse tema.

Incurável

As doenças compulsivas são incuráveis, pelo simples fato
que não existe cura para a compulsão. Isso significa que não podemos, no momento presente da ciência, usar uma cápsula, um medicamento qualquer, uma vacina, que nos torne imunes à
compulsão ou que nos livre dela. O compulsivo será sempre compulsivo de alguma forma; e a falta de cura, a que estamos nos referindo aqui, quer dizer exatamente isso: não ha um tratamento que possamos fazer; que nos permita, a partir de então, usar livremente, e sem consequências, o objeto de nossa compulsão seja ele comida, álcool, drogas, jogo, sexo, roubo ou outra. Sabemos que, falando assim, estaremos assustando muita gente; mas, até o momento, a verdade é essa. Por isso trabalhamos com a compulsão; pois podemos controlá-la, j a que não é possível curá-la. Pelo menos isso! Não podemos eliminar o “tubarão” voraz, alcoólatra ou toxicômano, que existe dentro de nos, e ficarmos definitivamente livres dele. Mas podemos colocá-lo para dormir
e controlar seu sono, para que durma para sempre, sob a nossa
eterna vigilância.
Como exemplo, temos o alcoolismo, bastante conhecido
de todos. O alcoolismo não tem cura.
- Isso significa que o alcoólatra vai beber até morrer?
- Sim, exatamente isso! Se a sua compulsão pela bebida
não for CONT ROLADA; se ele não for tratado, submetido a algum programa de recuperação, ele Vai beber ate a morte.

Continua...

ElizabethChimicati.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Carta a FHC



Excelentíssimo Ex-Presidente
Fernando Henrique Cardoso.

Em nome de 1.000 famílias de usuários de drogas ,que integram o Grupo Amor Exigente da Regional Paulistana Norte de São Paulo, declaramos ao Senhor nossa perplexidade com suas declarações, ontem, ao programa Fantástico, da TV Globo. Classificamos de, no mínimo, IRRESPONSÁVEL, sua defesa na “liberação de todas as drogas”. Como pais, e eleitores, estamos chocados. E nos perguntamos: suas declarações são endossadas pelo partido que o senhor preside, o PDSB, o partido do governador de São Paulo?
Como sociólogo, senhor Fernando Henrique Cardoso, o senhor deveria ouvir as famílias. Só quem tem este sofrimento dentro de casa é que pode dizer o que acontece quando seus entes queridos entram neste caminho, que sempre começa com a bebida e a maconha na infância e na adolescência, e, em seguida, cocaína, crack, ecstasy, lança-perfume e agora o oxi, as drogas que o senhor quer liberar.

O senhor afirmou que foi à Holanda e a Portugal. Mas não precisaria ir tão longe. Bastaria conversar com as famílias de usuários de drogas, andar pelas ruas de São Paulo, pelas cracolândias para entender o significado da doença causada pelas drogas que o senhor quer liberar. Drogas que causam a dependência química, doença reconhecida pela Organização Mundial de Saúde, como progressiva, incurável e fatal.
O senhor argumenta que “falharam políticas de combate às drogas”. Como famílias e eleitores perguntamos: quando existiu política antidrogas no país? Nem no seu governo, que se prolongou por 8 anos. O senhor nada fez. Apenas criou a Senad, que logo perdeu o titular e se transformou, a partir do seu governo, num. órgão inexpressivo e sem verbas do governo.
Como sociólogo, o senhor deveria ouvir as famílias que passaram e passam por esse flagelo que são as drogas. Ouça os jovens que conseguiram sair delas e a que custo!. Não temos assistência nem vagas para internação na rede pública de saúde. O seu partido, senhor Fernando Henrique Cardoso, não investe no tratamento. Exemplo é São Paulo, governada pelo PDSB, onde há somente 207 leitos oferecidos pelo ESTADO . Estado que enfrenta uma epidemia de todos os tipos de drogas e com registros de crianças já necessitando de tratamento. Mas onde?
Nós, pais de usuários de drogas, estamos ofendidos com a sua irresponsabilidade e insensibilidade. Nossa realidade é de lágrimas, desespero, incertezas e violência com filhos na fissura batendo em pais, assaltando nas ruas, sendo presos. E nada sendo feito pelo seu partido, que governa São Paulo.
Não atrapalhe o governo da presidenta Dilma que já anunciou medidas e está do lado das famílias. Vamos cobrar do seu partido. Quem nada fez, não tem o direito de atrapalhar quem já tem no seu dia a dia o pesadelo das drogas. Quantas vidas sua irresponsabilidade vai tirar?
Em nome de mil famílias aguardamos sua resposta e a do seu partido.
Miguel Tortorelli
Regina Tortorelli
Coordenadores Regionais Paulistana Norte.



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“Uso de drogas existe solução, mesmo ele não querendo”.
Tadeu Assis - Técnico em Dependência Química.
-  Projetos de Prevenção e Palestras em Escolas e Empresas.
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-  Acompanhamento Terapêutico e Cursos de Capacitação.
Contato: (22) – 9914.3450

quarta-feira, 1 de junho de 2011

II Continuação Outras características...

...E a mãe atende à criança. Então, seus ataques vão se tomando maiores e mais frequentes. Só no dia em que a mãe modificar esta relação, é que haverá tuna mudança no comportamento da criança. Nós somos a mãe e a compulsão é o nosso filho mimado e mal-educado.

Reflexiva

Você consegue imaginar essa criança? Pois somos nós, guardando as devidas proporções, escravos de nossa compulsão. Toda a família e as pessoas mais próximas são atingidas das formas , mais diversas, tanto do ponto de vista econômico quanto emocional e social. A família é atingida no gasto com a comida, na desorganização do compulsivo com a doença e as suas coisas, nos horários, compromissos, e na sua tirania, dando ordens todo o tempo, tudo sem sair do lugar. A família sente vergonha, às vezes raiva, e conseqüentemente, culpa em relação ao dependente. Os amigos também são atingidos. Em casa, eles (os dependentes) quase não fazem nada. Não é só em casa. Na vida eles não fazem nada para si ou por si, mobilizando e irritando as outras pessoas e a família que se toma uma vítima de sua tirania. Os amigos se sentem constrangidos com a voracidade, a falta de “educação”, o descontrole do comedor compulsivo em restaurantes ou festas.
Ao seu redor, todos têm que viver pisando em ovos, uma vez que ele é sempre muito suscetível a críticas, que resulta em mau-humor, irritabilidade e sensibilidade auto-referente.
Esta superproteção é uma característica que transforma aqueles, que estão em contato íntimo e constante com o compulsivo, em co-dependentes - e aqui já temos assuntos para outro livro.
 Continua..,

ElizabethChimicati