segunda-feira, 13 de junho de 2011

Mais sobre nós compulsivos


      Algumas pessoas ficam bastante descontentes quando digo a elas, que o nosso distúrbio, compulsão alimentar, é o mesmo distúrbio afetivo emocional, dos usuários de qualquer outra droga, álcool, tabaco, cocaína, maconha, crack, oxi, anfetamina. Assim como o mentiroso, mexeriqueiro, colecionador o verborrágico..., enfim os objetos de compulsão são muitos, muitos mesmo. Até entre os comedores compulsivos existe diferenças, uns preferem comidas salgadas, dentre elas uns preferem as frituras, outros carnes com gorduras e vai abrindo o leque, outros já preferem os doces, eu sou desse grupo, amo sorvetes e doces vendidos em balcões de padaria, aqueles empacotadinhos e existem os que comem de tudo, os quaisquer coisa serve. 
     Além desse questionamento, as pessoas ficam intrigadas com por que dessa diversidade de escolha de objetos, uma vez que o distúrbio é o mesmo. Eu tenho uma vaga idéia, uma vez que não existe um trabalho de pesquisa, esta é a minha conclusão no trabalho com meus clientes.
1- Mais facilidade de contato com uma coisa ou outra, principalmente ma família, é onde tudo começa.
2- Há três décadas passadas as mulheres não tinham muito acesso à bebida alcoólica e cigarros, “mulher direita” não freqüentava bares. Isso por um tempo direcionou mais a mulher do que homem para a comida e o homem para o álcool e tabaco. Na década de sessenta, a mulher inicia toda uma mudança de hábitos, comportamentos com o movimento hip, chega a polêmica maconha, vira moda, pensavam os jovens que, usá-la é ser irreverente, e vem o acido e depois todos já sabem onde estamos.
3- Em uma família onde o consumo de álcool é abusivo, a possibilidade do desenvolvimento de dependências é enorme, porque é genético? Não. Porque conviver com drogaditos é doentio, somente quem convive com um pode contar o que é esta experiência.
Além disso, o álcool é considerado droga de entrada; isso quer dizer que o álcool enfraquece, embaça a nossa capacidade de julgamento, assim depois de um trago vai qualquer coisa, como compulsivos, nós somos incapazes de pular fora no primeiro ponto, vamos afundando mais e mais na busca de prazer que agora é apenas imaginário, os transtornos inviabilizam o prazer “daquele dia.....”da primeira vez, agora só nos resta as conseqüências, cada droga com as suas.
Por preconceito, ao terem esta informação, existem as pessoas que preferem fazer uso de drogas “lícitas” receitadas, lícitas, porque o poderio de alguns interesses, não o nosso, é claro, impedem a ANVISA de cumprir com suas responsabilidades e proibir esta droga letal, é um crime o uso de anfetamina. È droga como a cocaína, heroína etc. então porque não liberar geral? Parar de frescura e assumir a submissão dos órgãos administrativos desse país aos poderes daqueles que realmente o governam? – droga por droga? Os preconceituosos fugiram e caíram no mesmo buraco. E não terá seu problema resolvido. Emagrecer será por um breve período e voltará a engordar... Não existe emagrecimento definitivo, nem com drogas nem com a mutilação do estômago.
A outra escolha é a cirurgia bariátrica que trás inúmeros distúrbios afetivo, emocional e físico, ocorre ainda o deslocamento de objeto de compulsão. Deslocamento é: quando na impossibilidade em aplacar a alucinante ansiedade inerente a todo compulsivo, buscamos um substituto, nas cirurgias bariátricas é muito comum o álcool, drogas e suicídios, inclusive sexo compulsivo e promíscuo. Nesse universo cabe qualquer coisa.
O que eu questiono é o seguinte: se com a cirurgia, além de uma severa restrição alimentar, o operado terá de conviver com tantas outras dificuldades, pra que?
Ah! A equipe faz um atendimento, faz um preparo e a pessoa está consciente do que vai fazer e conviver. Esse preparo é feito em quantos anos? – como é feito? Por quem? Qual o conhecimento dessa equipe do perfil de um compulsivo? Eu nunca vi em nenhuma entrevista alguém que explicasse o que é compulsão, parece conhecerem apenas a palavra, banalizaram-na quando não deram corpo a ela, o leigo não tem que saber de palavrório técnico.
Como é possível trabalhar: negação, resistência, ansiedade (medo) manipulação, desonestidade. Como fazer isso em dias ou alguns poucos meses? Somos apenas psicólogos e não santeiros, (o paciente com toda certeza acredita que poderá driblar sua nova realidade que com ele vai ser diferente, que poderá comer como faz que depois do milagre da cirurgia, não vai engordar. Porém, jamais irá confessar isso a ninguém. Na negação e manipulação o compulsivo é capaz de convencer a uma equipe que ele está pronto para a cirurgia, eles são compulsivos e não burros, muito pelo contrário. Lembrando, para maior horror dos vaidosos que serial Killer é um distúrbio compulsivo, isso explica nossa capacidade de manipulação?
São todos estes traços e muitas outras características que venho sempre apresentando que nos faz neuróticos obsessivos compulsivos, portadores de TOC. Uma disfunção afetiva, emocional que pode variar de intensidade, complexidade, ou ser agravada, se estiver presente, distúrbios psiquiátricos, que complica muito o tratamento que já é bastante difícil.

ElizabethChimicati

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