...E a mãe atende à criança. Então, seus ataques vão se tomando maiores e mais frequentes. Só no dia em que a mãe modificar esta relação, é que haverá tuna mudança no comportamento da criança. Nós somos a mãe e a compulsão é o nosso filho mimado e mal-educado.
Reflexiva
Você consegue imaginar essa criança? Pois somos nós, guardando as devidas proporções, escravos de nossa compulsão. Toda a família e as pessoas mais próximas são atingidas das formas , mais diversas, tanto do ponto de vista econômico quanto emocional e social. A família é atingida no gasto com a comida, na desorganização do compulsivo com a doença e as suas coisas, nos horários, compromissos, e na sua tirania, dando ordens todo o tempo, tudo sem sair do lugar. A família sente vergonha, às vezes raiva, e conseqüentemente, culpa em relação ao dependente. Os amigos também são atingidos. Em casa, eles (os dependentes) quase não fazem nada. Não é só em casa. Na vida eles não fazem nada para si ou por si, mobilizando e irritando as outras pessoas e a família que se toma uma vítima de sua tirania. Os amigos se sentem constrangidos com a voracidade, a falta de “educação”, o descontrole do comedor compulsivo em restaurantes ou festas.
Ao seu redor, todos têm que viver pisando em ovos, uma vez que ele é sempre muito suscetível a críticas, que resulta em mau-humor, irritabilidade e sensibilidade auto-referente.
Esta superproteção é uma característica que transforma aqueles, que estão em contato íntimo e constante com o compulsivo, em co-dependentes - e aqui já temos assuntos para outro livro.
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