sábado, 9 de abril de 2011

Para reflexão...

... "Fiz notar ao principezinho que os baobás não são arbustos, mas árvores grandes como igrejas. E que mesmo que ele levasse consigo todo um rebanho de elefantes, eles não chegariam a dar cabo de um único boabá.
         
A idéia de um rebanho de elefantes fez rir ao principezinho:
         
- Seria preciso botar um por cima do outro...
         
Mas notou, em seguida, sabiamente:
         
- os baobás, antes de crescer, são pequenos.
          É fato! Mas porque desejas tu que os carneiros comam os baobás pequenos?
         
- porque haveria de ser?

Respondeu-me, como se tratasse de uma evidência. E foi-me preciso um grande esforço de inteligência para compreender sozinho esse problema.
          Com efeito, no planeta do principezinho havia, como em todos os outros planetas, ervas boas e más. Por conseguinte, sementes boas, de ervas boas; sementes más de ervas más. Mas as sementes são invisíveis. Elas dormem no segredo da terra até que uma cisme de despertar. Então ela espreguiça, e lança timidamente para o sol um inofensivo galhinho.
Se é de roseira ou rabanete, podemos deixar à vontade. Mas quando se trata de uma planta ruim, é preciso arrancar logo, mal a tenhamos conhecido. Ora, havia sementes terríveis no planeta do principezinho: as sementes de baobás... O solo do planeta estava infectado. E um baobá, se a gente custa a descobri-lo, nunca mais se livra dele. Atravanca todo o planeta. Perfura-o com suas raízes. E se o planeta é pequeno e os baobás numerosos, o planeta acaba rachando.
É uma questão de disciplina, me disse mais tarde o principezinho.
-Quando a gente acaba a toilette da manha, começa a fazer a toilette do planeta. É preciso que a gente se conforme em arrancar regularmente os baobás logo que se distingam das roseiras, com as quais muito se parecem quando pequenos. É um trabalho sem graça, mas de fácil execução.

      Antoine de Saint – Exupery

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