“Os adictos São pessoas que têm uma predisposição de reagir
aos efeitos das drogas de maneira específica, isto é, de
uma maneira tal, que tratam de usar seus efeitos para satisfazer
um desejo oral arcaico, que é, ao mesmo tempo, um desejo
sexual, uma necessidade de segurança básica, e de conservar
a auto-estima ” (FENICHEL, OTTO. Teoria psicanalítica de
las neurosis). A privação do prazer, a falta de segurança básica e a
perda da auto-estima são vividas pelo dependente como um
desmoronamento, aniquilação, ameaça iminente de morte
psicológica. A urgência de alivio dessa ameaça leva o adicto a
estabelecer um vinculo de vida ou morte com a droga. As primeiras
experiências com as drogas trazem alivio para essa ansiedade,
gerada pelo caos que esta sendo vivido como aniquilamento do
ego. Ao passar o efeito das drogas, e na Volta a consciência da
realidade, o adicto, frente a essa ameaça, mais sensível e mais
fragilizado, Volta ao uso da droga que vai se tornando vital para
ele. Progressivamente, e no desenvolvimento e avanço da doença,
estabelece-se, assim, a dependência, cada vez mais solidificada
pela síndrome de abstinência. O adicto não acredita mais ser possível
viver sem a droga. A grande dificuldade do processo de recuperação
é que, além de ter que superar a dependência, ele terá também
que confrontar com todos os seus fantasmas, deixados ou criados
no passado de ativa.
Na compulsão pela comida, temos ainda que conviver com
inúmeros desconfortos. Quem de nos nunca acordou à tarde,
apos a soneca do almoço, com um tremendo mal-estar digestivo,
com aquela comilança completamente encalhada no estômago?
Obesidade uma doença do afeto
ElizabethChimicati & Sálvio Maciel
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