quarta-feira, 18 de maio de 2011

"OS BAOBÁS"









No dia 09 de abril, eu postei este trecho do livro de:     
Antoine de Saint Exupery,
Com o objetivo de fazermos uma reflexão, eu não me esqueci, é que surgiram assuntos que escolhi naquele momento priorizar.

... "Fiz notar ao principezinho que os baobás não são arbustos, mas árvores grandes como igrejas. E que mesmo que ele levasse consigo todo um rebanho de elefantes, eles não chegariam a dar cabo de um único baobá.
         A idéia de um rebanho de elefantes fez rir ao principezinho:
         - Seria preciso botar um por cima do outro...
         Mas notou, em seguida, sabiamente:
         - os baobás, antes de crescer, são pequenos.
          É fato! Mas porque desejas tu que os carneiros comam os baobás pequenos?
         - porque haveria de ser?
Respondeu-me, como se tratasse de uma evidência. E foi-me preciso um grande esforço de inteligência para compreender sozinho esse problema.
          Com efeito, no planeta do principezinho havia como em todos os outros planetas, ervas boas e más. Por conseguinte, sementes boas, e ervas boas sementes más, e ervas más. Mas as sementes são invisíveis. Elas dormem no segredo da terra até que uma cisme de despertar. Então ela espreguiça, e lança timidamente para o sol um inofensivo galhinho.
Se for de roseira ou rabanete, podemos deixar à vontade. Mas quando se trata de uma planta ruim, é preciso arrancar logo, mal a tenhamos conhecido. Ora, havia sementes terríveis no planeta do principezinho: as sementes de baobás... O solo do planeta estava infectado. E um baobá, se a gente custa a descobri-lo, nunca mais se livra dele. Atravanca todo o planeta. Perfura-o com suas raízes. E se o planeta é pequeno e os baobás numerosos, o planeta acaba rachando.
É uma questão de disciplina, me disse mais tarde o principezinho.
-Quando a gente acaba a toilette da manha, começa a fazer a toilette do planeta. É preciso que a gente se conforme em arrancar regularmente os baobás logo que se distingam das roseiras, com as quais muito se parecem quando pequenos. É um trabalho sem graça, mas de fácil execução.

      Antoine de Saint  Exupery


          Eu ganhei este livro por volta: 1964 a 1966, era o livro da minha geração, ninguém era candidata mis, mas Exupery, estava no auge.
Esse diálogo em especial, do principezinho com o piloto, nunca foi digerido por mim, naquela época eu fiz a seguinte interpretação: Todo mau antes de crescer é pequeno, assim mais fácil de transformações.
               Para vocês entenderem como este texto deixou marcas em mim, assim que comecei a tratar da obesidade, conseqüentemente fui estudar TOC, Transtorno Obsessivo Compulsivo, imediatamente me lembrei deste texto encontrei meu velho e amarelo livro. Li. Reli. Treli. Assim entendi o que tanto me impressionava nesse texto por tantos anos.
               Ele faz uma descrição física do estado mental de um Obsessivo compulsivo, quem o é, vai reconhecer com grande alívio, pois é alguma coisa que existe e pode ser modificada.

        ”Mas notou, em seguida, sabiamente:
         - “os baobás, antes de crescer, são pequenos”.

Não adoecemos da noite para o dia. Geralmente existe um desencadeador para cada um de nós, um fato na vida da pessoa que para ela serviu de gatilho para o, desabrochar das sementes de baobá e atravancassem seu planeta.  

“E foi-me preciso um grande esforço de inteligência para compreender sozinho esse problema.
          Com efeito, no planeta do principezinho havia como em todos os outros planetas, ervas boas e más. Por conseguinte, sementes boas, e ervas boas sementes más, e ervas más. Mas as sementes são invisíveis. Elas dormem no segredo da terra até que uma cisme de despertar. Então ela espreguiça, e lança timidamente para o sol um inofensivo galhinho.

O nosso cérebro será uma analogia com o planeta do principezinho. As sementes são nossas lembranças boas e más, e as ervas o processo mental de cada um, diferenciado, particular pessoal. Todo esse processo é invisível a olhos leigos ou desatentos. Enquanto muito jovenzinhos elas dormem no segredo de nosso coração...    

O solo do planeta estava infectado. E um baobá, se a gente custa a descobri-lo, nunca mais se livra dele. Atravanca todo o planeta. Perfura-o com suas raízes. E se o planeta é pequeno e os baobás numerosos, o planeta acaba rachando.

Essa é para mim, a descrição mais bonita que já conheci de psicopatologia. Ela diz tudo, nossas mentes, em maior ou menor quantidade está infectado pelos lixos de nossa educação e cultua, se não buscamos fazer faxinas, nunca mais nos livramos do lixo, ficamos com o planeta atravancado, perfurado pelas raízes dos baobás, até que o planeta acaba rachando. Como ele racha? No uso de todas as drogas, inclusive as lícitas, e comida... E ma doença mental grave.

É uma questão de disciplina, me disse mais tarde o principezinho.
-Quando a gente acaba a toilette da manha, começa a fazer a toilette do planeta. É preciso que a gente se conforme em arrancar regularmente os baobás logo que se distingam das roseiras, com as quais muito se parecem quando pequenos. É um trabalho sem graça, mas de fácil execução.

É uma questão de disciplina. Buscar tudo que desejamos, é saudável, lícito. Porem o único meio de sermos bem sucedidos é através da disciplina, fazer o que for necessário, mesmo que seja sem graça, difícil. Ser adulto significa que eu sei o que precisa se feito e, vou fazer. E faço, seja lá o que for necessário para ter uma vida digna.

ElizabethChimicati

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